Construção da Nova Sede do TRT 17ª Região

 
A Construção

O projeto do Edifício Sede do TRT da 17ª REGIÃO teve a autoria das servidoras do Tribunal, Arquitetas Irani Regina Bortolini Barreto - CREA ES 01211-D e Daniela Vasconcelos Ribeiro CREA ES 7357 D, tendo o mesmo recebido o 10º Prêmio de Arquitetura Capixaba no ano de 2006, conferido pelo IAB ES – Instituto de Arquitetos do Brasil. O desenvolvimento do projeto de arquitetura e a elaboração dos projetos especializados de engenharia, foram executados pela empresa NBC / Nástas, Bertolucci Círico - Arquitetos - Curitiba-PR, encontrando-se os trabalhos sob a Coordenação da Arquiteta Irani Regina – Lila.

O Projeto

É muito comum, e trata-se de um paradoxo, as obras públicas serem vistas como um projeto onde a preocupação com o custo é mínimo, por ter recursos públicos. No entanto, o contrário é a realidade, o custo é um direcionador de todo o desenvolvimento e pauta rotineira, e constante nas definições pelos envolvidos, devendo-se buscar o máximo de eficiência com o menor custo, transformando o objeto de tal grandeza e complexidade num exercício de criatividade, tendo em vista a linha reta da moralidade que cerca o assunto, o qual deve ser sempre um forte princípio em todo empreendimento público, que se inicia na fase interna, ou seja, dentro do órgão público, quando já se deve respeitar inúmeras regras para se alcançar o objetivo de forma justa para toda a sociedade.

A preocupação com o custo não exclui a necessidade de se construir um edifício que expresse os valores intrínsecos de cada Instituição e relevância dos serviços que serão prestados por ela.

A relação do custo no EDIFÍCIO-SEDE do TRT da 17ª região, por tratar-se de um edifício para um órgão publico, foi pensado desde o princípio, já na definição do programa de necessidades, para o qual foi estabelecido um conjunto de espaços que atenderiam às suas necessidades sem extrapolar ou ignorar o essencial para atender a sua função. Foi pensado na utilização máxima do potencial de construção permitido pelos índices urbanístico para o terreno onde será implantado, devido à preocupação de se considerar o crescimento previsto para o órgão, a fim de se evitar prejuízos no que se refere ao melhor aproveitamento e desperdício de recursos públicos a médio e longo prazos. 

No entanto, a preocupação com o custo do empreendimento não acarretou prejuízo na concepção da arquitetura, visto que buscou-se um equilíbrio do conjunto, adotando-se aspectos conceituais, sem se restringir apenas ao objeto arquitetônico.

Foi adotado a racionalização do todo o conjunto buscando minimização de custos onde fosse possível, sem detrimento da qualidade arquitetônica, e aspectos vinculados a durabilidade, o que permitiu uma margem de liberdade no que se refere à estética pretendida para um edifício de grande porte e que representa um marco no meio urbano, no qual foi privilegiada a qualificação do espaço público, a representatividade de sua identidade e refletido o conceito de espaço público monumento. Fato reconhecido pela comunidade e pela categoria, visto que o projeto foi aprovado no Conselho da PMV, e premiado no 10º Prêmio de Arquitetura Capixaba realizado pelo IAB - ES em 2006.

A adoção de medidas e sistemas construtivos adequados à otimização do custo, gerou um empreendimento eficiente de forma completa, equipado com meios e dispositivos necessários a sua função e porte e características de utilização. Alguns pontos foram definidores dos resultados, conforme relata-se a seguir:

COORDENAÇÃO - Um fator de grande peso é a coordenação dos trabalhos visando a adequada compatibilização de todos os projetos, fazendo-se análise de viabilidade técnica, antecipadamente, para todos elementos e instalações do edifício.

PROCEDIMENTO: O processo foi desenvolvido através de execução em etapas de elaboração de projeto, iniciando-se pelo Programa de Necessidade, seguido do estudo preliminar de arquitetura definido por arquitetos do órgão, elaboração do Relatório de Impacto Urbano- RIU exigido pela Prefeitura, do anteprojeto de arquitetura e demais projetos complementares, bem como todos os executivos, os quais foram desenvolvidos por uma única empresa contratada, permitindo maior controle e gestão de todas as informações e análises de compatibilidade e estimativas de custos da obra.

PRAZO DE DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS: Priorização da fase de desenvolvimento de todos os projetos, adotando-se o princípio de que se deve utilizar todo o tempo possível necessário e justificado, para a elaboração e compatibilização desses, reduzindo-se a possibilidade de erros de concepção, comuns nos projetos realizados em curto prazo, garantir maior grau de definição de todos os elementos e fatores pertinentes a obra, a fim de otimizar a futura execução do empreendimento, evitando-se paralisações no seu decorrer e perdas de serviços para adequação necessária, diminuindo os riscos inerentes a todos os contratos da espécie.

PARCELAMENTO DA EXECUÇÃO: Definição para a execução em etapas, respeitando-se viabilidade técnico e econômica de cada parcela, para a qual foi analisado risco de eventuais prejuízos de seqüência de execução.

Ficando assim dividida:

1ª etapa - Desenvolvimento dos projetos de arquitetura e engenharia;

2ª etapa - fundações ( exclusivamente),

3ª etapa – execução de todo o conjunto de serviços, excluindo-se algumas instalações, que ficaram para a 4ª etapa e que serão executadas por fornecedores específicos conforme área de atuação, desde que não dependem diretamente da execução no conjunto, ficando nessa última todos os serviços que podem ser executados de forma independente, como por exemplo: mobiliário, comunicação visual, ou que se justificam pela espera oportuna conforme cronograma previsto, tendo como um dos motivos a possibilidade de adequação à evolução tecnológica que pode ocorrer ao longo da execução.
Palavra do Presidente
Juiz José Luiz Serafini

Por esta tarde estival eu garanto aos senhores que jamais os convidaria para uma cerimonia hirta, chocha ou vazia. A grandeza e beleza da hora -- a magna Obra encetada -- impunha este gesto solene, atraindo natural e congenialmente a idéia primordial, arquetípica, desta Pedra que hoje erigimos e perpetuamos.

Em louvor da pedra é preciso dizer, com o poeta Francis Ponge, que “ todas as rochas são oriundas por cissiparidade de um mesmo ancestral enorme ”. E confirma a mitologia: a pedra bruta desce dos céus, e depois, trabalhada, tende a subir em direção a eles. Extenso é o simbolismo da pedra, e rica a sua dicção. Algumas pedras celestes são falantes, como instrumentos de um oráculo ou portadoras de uma mensagem, e todas são dignas de veneração. E são ícones da presença divina, por igual, apedra do altar de Delos, a pedra que em Jerusalém sustentava a Arca da Aliança, a pedra no centro dos altares cristãos, a pedra da coroação da abadia de Westminster, a Pedra Negra da Caaba em Meca. De outra parte, a pedra simboliza também a Terra-Mãe, e daí vem nascerem as pedras preciosas de dentro da rocha, depois de nela amadurecerem. A pedra, esse signo multívoco, de tantas faces. Há a pedra de raio, sílex que constituía a ponta da flecha do relâmpago; a pedra furada, que protege dos malefícios; as pedras empilhadas, de variados significados. Há a pedra angular, na verdade a pedra da cumeeira, a chave da abóbada, signo da finalização ou do coroamento, com a idéia de consumação que leva à pedra filosofal, ambas podendo simbolizar também o Cristo. E temos a pedra fundamental, esta que hoje aqui plantamos e sacramentamos, para marcar o início efetivo da construção que a maquete ao lado prefigura e anuncia.

E estando bem assentada a pedra, ela fatalmente lançará raízes, buscando a intimidade da terra. No nosso caso não se trata mais de metáfora, mas de algo bem concreto e que já está acontecendo neste momento mesmo, sob os nossos pés. Sim, neste solo já estão plantadas dezenas de raízes de pedra, que os engenheiros chamam de estacas da fundação, e estão sendo feitas à razão de trinta ou quarenta por semana. No total serão 425 estacas, com diâmetro de 30 a100 centímetros, e comprimento de até trinta metros para dentro deste chão que um dia foi mar.

Mas retornemos à superfície, a este terreno que pisamos. Adquiriu-o em 1994 o Dr José Carlos Rizk, ao final da sua presidência, num gesto de audácia e clarividência. O preço, naturalmente, foi reduzidíssimo; e seguiram-se alguns percalços, como era de se esperar, afinal vencidos, e um ou dois incidentes cômicos. Por isto a homenagem especial que hoje lhe prestamos.

O outro homenageado, o Dr Cláudio Armando Couce de Menezes, é-o pela obstinação que demonstrou, no biênio da sua presidência, em levar adiante o antigo projeto da construção da sede própria, nós que ainda somos o único TRT que não a possui. Sentindo propícia a ocasião, conseguiu ultimar o projeto (que aliás não foi o primeiro) e assegurar a verba necessária para os primeiros dois anos da obra.

Que ninguém imagine que essa idéia ou sonho da construção tenha passado em brancas nuvens nas demais presidências. De modo nenhum. A Dra. Maria de Lourdes Vanderley e Souza, nossa primeira presidente, acalentou essa idéia, mas o Tribunal recém-instalado tinha urgências maiores de criança pequena, carente e exigente. Todos os presidentes que se seguiram – a Juíza Regina Uchôa da Silva, o Juiz Hélio Mário de Arruda, a saudosa Annabela Almeida Gonçalves, o Juiz Sérgio Moreira de Oliveira e a Juíza Maria Francisca dos Santos Lacerda – todos, sem exceção, perseguiram esse sonho. A tudo fortemente presidiu a mão soberana de (kairós), esse conceito grego que designa o momento próprio ou favorável, o tempo propício e maduro em que as coisas acontecem, o tempo de Deus, por oposição a (kronos), o tempo meramente cronológico, o tempo dos homens. E no meio do caminho apareceram dois pedregulhos. O primeiro, a tentativa de abolir-se a Justiça do Trabalho, que demandou prioritária mobilização reativa de todos nós. O segundo, o escândalo daquele lalau paulista, mal-estar que congelou e assombrou por vários anos a mera intenção de construir sedes de tribunais. Além de tudo, os dois anos da presidência passam depressa demais... Sintam-se, pois, todos os ex-presidentes devida e igualmente homenageados. O único que não tem méritos neste empreendimento sou eu mesmo, que peguei o bonde andando, encontrei a porta aberta e prontas as plantas, e me limitei a assinar papéis e projetos. E hoje terei desempenhado por instantes os papéis de meste-de-obras e de pregoeiro turístico-sentimental.

Lembremos agora que as pedras têm o misterioso dom de se propagar, espalhando-se. E que, uma vez entranhadas na terra, agora têm saudades das alturas e dos céus. E então, alçadas, mantêm a firme ossatura de rocha, mas se fazem porosas, escavando reentrâncias e intimidades de câmaras, a convidar a companhia de bichos e plantas. E acabam, com a colaboração humana, por se transmudar em casas, as nossas casas. Diz o psicanalista Erich Neumann, citado por Bachelard: “Todo ser fortemente terrestre – e a casa é um ser fortemente terrestre -- registra ao mesmo tempo os apelos de um mundo aéreo, de um mundo celeste. A casa bem enraizada gosta de ter uma ramificação sensível ao vento, um sótão que tem barulhos de folhagem”. E arremata Bachelard: “A casa conquista sua parte de céu. Tem todo o céu como terraço”.

O que nos remete diretamente a esta nova Casa que ora vemos nascer. Casa que será uma roupa do nosso tamanho, nem mais nem menos. E merecidamente; não é coisa que precisemos justificar. É do tamanho da nossa relevância. A maquete aí está à vista de todos, e convida à imaginação. E olhando em redor, vemos que a cidade avança, se moderniza, se agiganta, ingressa em novos patamares, junto com o restante do Espírito Santo, num movimento que ao mesmo tempo regozija e inquieta. Estaremos preparados para esses novos tempos.

Os pormenores da obra já foram amplamente divulgados, e continuarão a sê-lo detalhada e sistematicamente num link que hoje se inaugura, subordinado ao sítio do Tribunal na internet, com livre acesso. Apregoarei apenas algumas características marcantes do projeto arquitetônico: a longevidade, a utilização sempre que possível de materiais médios, a flexibilização espacial, a intenção de funcionalidade, a previsão de futuro sistema de reutilização da água e aproveitamento de águas pluviais, a orientação do edifício buscando a insolação mais favorável... Até o fim do ano veremos brotar concretamente do solo muito do que metaforicamente se anunciou nos parágrafos acima...

E que reste fundamente gravado na pedra o nome e o labor dos servidores que atuam e atuaram neste grande e trabalhoso projeto, muitos deles há quase dois anos. E muito terão ainda que fazer, empenhados que estão em ultimar os projetos da terceira e maior fase da construção, a iniciar-se em meados do ano. Rendo minhas homenagens ao pessoal da Licitação, os servidores AUGUSTO CÉLIO RODRIGUES DE SOUSA, AURINEIDE ROSA MARTINS BERTELLI, JORGE LUIZ CEOLIN ESCLAUZERO, GENÉSIO ROSAS BRITTO, AMANDA SPEROTO RODRIGUES GOULART e SÓSTENES CARLOS CASTILHO , que quotidianamente enfrentam a tarefa , cheia de meandros e escolhos, de elaborar editais. E também à equipe de fiscalização dos projetos, igualmente assoberbada: as arquitetas IRANI REGINA BORTOLINI BARRETO e DANIELA VASCONCELOS RIBEIRO, os engenheiros CARLA ANDRÉA M.T. BERMUDES, JOSÉ MAURÍCIO LENZI DA SILVA, RAFAEL DUARTE, FERNADO CESAR G. VIEIRA e ROBSON GUIMARÃES, e os servidores FÁBIO GOBETTI, ARNALDO GOMES SOARES, LOURIMAR V.R. COSTA, CARLOS TADEU GOULART, ALEXANDRE DILASCIO E JONATHAN MARQUES SILVEIRA CARIOCA. E também aos seguintes participantes de fases anteriores do processo: LEONIDIO SALGADO, ANTONIO FRANCISCO GOMES, GLÁUCIA DOS SANTOS LACERDA, ALUYSIO G. SIMÕES, e os engenheiros ROBERTO GOUVEA DE MELO, LUIZ RODRIGUES DAMASCENO, ROBERTO ARTUR PILZ e PAULO CÉSAR DE ALMEIDA TOLEDO.

No ventre da pedra plantamos hoje a cápsula do tempo, a ser aberta no prazo protocolar de vinte e cinco anos. Na caixa de acrílico, esse neto da pedra, vão nossos guardados, nossas memórias, sementes lançadas ao futuro. Que os hóspedes desse tempo futuro se lembrem um pouco de nós, e que não sorriam em demasia da nossa candura e da nossa ignorância das coisas que estão por vir.

E se não lembrarem, tanto faz. O tempo presente é prenhe de celebrações, e nos bastará. O momento presente fulgura de intensidade, e vastas e moções o perpassam. A alegria fecunda de ver que coisas boas realmente acontecem. A satisfação do dever cumprido. A certeza de servir ao bem público. Um sonho tornado palpável, depois de tanto tempo. A satisfação de ver crescer uma árvore cujos frutos alguns de nós talvez não colheremos, mas que nos apetecem assim mesmo. Árvore a cuja sombra muitos se abrigarão, e terão refrigério, sejam quem forem, A convicção de participar de algo de valor perene, e serenamente precioso. Para não sucumbir a tanta emoção, valho-me da severa disciplina do itabirano, dizendo: “Vontade de cantar. Mas tão absoluta que me calo, repleto”.